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“Que criança mal-educada!”

“Que criança mal-educada!”

Para uma mãe ou um pai, poucas coisas doem tanto quanto ouvir essa frase enquanto o filho chora, grita ou se joga no chão porque algo não aconteceu como ele queria.

E, naquele momento, além de lidar com a criança, os pais ainda precisam enfrentar os olhares, os julgamentos e, muitas vezes, a própria sensação de não saber o que fazer.

Mas será que estamos diante de uma criança mal-educada?

Ou de uma criança que ainda está aprendendo a lidar com aquilo que sente?

Na primeira infância, o cérebro ainda está desenvolvendo os recursos necessários para controlar impulsos, compreender emoções e enfrentar frustrações.

Às vezes, o que parece exagero aos olhos de um adulto é uma emoção grande demais para uma criança tão pequena.

Seu corpo expressa o que suas palavras ainda não conseguem dizer.

E é justamente nesses momentos que os filhos mais precisam da nossa presença.

Não para fazer todas as suas vontades. Nem para permitir qualquer comportamento.

Mas para mostrar que é possível atravessar uma frustração sem perder o amor, o respeito e a segurança.

Educar não é impedir que nossos filhos sintam. É ajudá-los a aprender o que fazer com aquilo que sentem.

E isso também exige muito de nós.

Porque há dias em que estamos cansados, preocupados, sobrecarregados. Dias em que nossa própria paciência parece chegar ao limite.

Reconhecer isso também faz parte do aprendizado de educar.

Nossos filhos não aprendem apenas com aquilo que dizemos. Eles observam como reagimos quando algo nos contraria, como enfrentamos nossas dificuldades e como tratamos quem está sofrendo.

O limite oferece direção. O acolhimento oferece segurança. O exemplo ensina.

Mas como fazer isso na prática?

Imagine que seu filho esteja no supermercado, chorando porque você não comprou o que ele queria.

Antes de levantar a voz ou tentar convencê-lo a parar, procure respirar e se acalmar. Se o lugar não for seguro, conduza-o com cuidado para um espaço mais tranquilo.

Aproxime-se, abaixe-se à altura dele, se for possível, e fale com voz serena:

“Eu sei que você queria muito aquelas bolachas. Você ficou bravo porque eu disse não. Eu entendo. Mas hoje não vamos comprar.”

Não é necessário explicar muitas vezes, discutir ou exigir que ele pare de chorar imediatamente.

Permaneça por perto, respeitando se ele não quiser ser tocado. Se tentar bater, machucar alguém ou jogar objetos, interrompa o comportamento com firmeza e tranquilidade:

“Eu não vou deixar você machucar ninguém. Estou aqui para ajudar.”

Quando a intensidade da emoção diminuir, ofereça um caminho simples:

“Vamos respirar um pouquinho? Depois você pode me ajudar a escolher as frutas.”

Talvez ele ainda chore. Talvez precise de mais tempo.

O importante é compreender que, naquele momento, ele não precisa de uma longa explicação. Precisa encontrar em você a segurança e a firmeza que ainda está aprendendo a desenvolver dentro de si.

Mais tarde, quando estiver tranquilo, vocês poderão conversar sobre o que aconteceu e pensar juntos em outras maneiras de expressar a raiva ou a tristeza.

É assim, nas pequenas experiências do cotidiano, que a criança começa a construir seus recursos emocionais.

Nem toda emoção precisa desaparecer imediatamente. Algumas precisam ser vividas com segurança para que, aos poucos, a criança aprenda a lidar com elas.

E quando alguém olhar de lado ou fizer um comentário, lembre-se de que aquele momento não define seu filho, nem a qualidade da sua educação.

Nossos filhos não precisam de pais perfeitos. Precisam de pais presentes, que também estejam dispostos a aprender e crescer.

Porque educar é uma oportunidade diária de amadurecermos juntos.

🌱 E você, mãe ou pai, já se sentiu julgado em um momento difícil com seu filho? Como foi para você?

LEMBRAR QUEM SOMOS TRANSFORMA A VIDA. ❤️

©️ Sahwenya Passuello
Natural Medicina
Alma da Terra

Educadora e Pesquisadora do Desenvolvimento Humano há 40 anos. Criadora da Antropologia da Essência, dedicada às relações conscientes e ao florescimento da Vida.